25 outubro, 2005



OLHAR

Já fui inventor de segredos. Desses que param por horas, adivinhando o por detrás dos olhos alheios. Era só escolher um tronco, um banco, um batente, uma beira de muro sem vidro e parar. Via a vida passar com suas curvas, suas cores, sua polifonia e seus odores. Lia tudo ali: no livro embaixo do braço, no jeito de acender o cigarro, na maneira do cuspe estatelar-se no asfalto. Sabia todos os de onde e pra onde, os porquês e os serás. Era Deus, um menino brincando de bonequinho, ignorando os que me desejavam e desejando os que me ignoravam. Mas um dia, nem sei bem por qual motivo, parei de enxergar. E foi nesse exato momento, que os olhos do mundo começaram a me inventar.

3 comentários:

Anônimo disse...

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eliza disse...

naquele momento os olhos do mundo começaram a te inventar ou a te enxergar? eu te enxerguei de longe. inventadinho.

*tou c. aquela mania de achar q tudo é autobiográfico. até q se prove o contrário. :P
amovocê
|*

Raquel disse...

Primeiro, adorei a idéia do blog, já não era sem tempo, né? ;))

O texto é fantástico, e parece muito íntimo, bem autobiográfico (como a Li falou), e talvez por isso tenha tanto tato, tanmto encanto...

"Sabia todos os de onde e pra onde, os porquês e os serás". Isso me lembrou 'Paquetá', do Los Hermanos.

E essa imagem... linda... além de casar perfeitamente com o texto.
Bem-vindo a literatura virtual. Espero o livro, autografado, claro. heheheh

=****