
Imagine a net como uma galeria de esgotos e cada blog como uma privada, pronta pra receber tudo que ninguem quer mais dentro de si. Pois bem, esta é a minha LATRINA e vou largar aqui o que não der pra jogar no ventilador do mundo.
21 dezembro, 2005

19 dezembro, 2005
13 dezembro, 2005
Ps. Mais uma imagem subtraida do Getty Images e mais um gostinho do "Inexperiências Poéticas".
06 dezembro, 2005

(Ou, simpesmente, baseado em realidade)]
Riso incontido.
Colheu tempestade. Tomou-a pela mão, navegou sua carne, encharcou-se nas suas águas, naufragou no negro-azul dos seus cabelos, inundou cada cavidade, desfaleceu, acordou sozinho. E até hoje o cara comum morre de medo e de vontade de dar de cara com ele mesmo num beco escuro de cidade.
Ps. Mais um do "Inexperiêcias Poéticas".
29 novembro, 2005

O sangue escorre pelos lados, misturado com porra quente. Com olhar terno a dona escarra o pedaço tenro de carne da boca, lambe os beiços e observa a mascara de horror do desfalecido. Aquele imbecil podia muito bem ter avisado antes. Bastava ele avisar, tomaria tudo sofregamente até não sobrar uma única gotícula. Mas não, ele tinha que bancar o safo, tinha que se achar no direito, tinha que me tomar o prazer. Enquanto se veste das cintas-ligas, se calça com os scarpins, se reveste no tailer, o corpo jaz inerte, incompleto, gemente, feição se acentuando doloridamente. Muito calmamente ela pega o resto do chão e com toda a delicadeza de uma lady na mesa, anda elegantemente até o lugar onde sua bolsa caíra, abaixa-se com uma mão cobrindo o sexo, como toda boa moça de família aprendeu quando menina, apanha-a, abre-a, toma um lenço, limpa cada canto da boca e um resto de lágrima que borrou seu rosto, enrola seu prêmio, guarda-o junto com tudo que uma mulher precisa para estar linda. Em câmera lenta caminha até o toilet, lava as mãos com um daqueles sabonetes de boneca, lembra do batom, retoca o rosa dos lábios, vê as horas, ainda faltam 3 pro amanhecer, pode deixa-lo dormir diz ela ao telefone, paga em dinheiro vivo, olha-o da porta, faz charme com os cabelos, entra no carro, põe a chave na ignição e antes da partida pensa alto: Quem sabe o próximo é um pouco mais cavalheiro.
Ps1. Esse é mais um dos textos que estão dentro do meu livro, ainda inédito, Inexperiências Poéticas.
Ps2. Passei a mão em mais um foto do Getty Images, psiu...
21 novembro, 2005
18 novembro, 2005

Tem um papel de mentira na minha frente, uma pena falsa na ponta de meus dedos, tentando esconder os meus segredos, querendo escravizar a minha mente.
Por onde andam os "ós" de copo de café, a baba que borra o nanquim, o cheiro de cigarro, os traços tortos que zombavam da fé?
Cadê os guardanapos bêbados, psicografados, molhados de cerveja?
Onde pararam os bolsos, amarrotados, repletos de palavras. Aonde mesmo que fica aquela lata de lixo onde enterrei tanto do meu sentimento?
E as cinzas, as tantas cinzas espalhadas no vento?
Queria encontrar cada partícula de vergonha que eu sacrifiquei a mim mesmo.
Fico aqui então, tentado lembrar do que não lembro, tentando chorar.
Engula o choro menino!
Os olhos sorvem de volta palavras e lágrimas misturadas e enquanto estou encolhido num canto, de cabeça entre as pernas, brota-me um pensamento: tá tudo aqui dentro, tudo aqui dentro, tudo aqui, dentro.
Ps1. Esse texto faz parte do meu livro, ainda inédito, "Inexperiências Poéticas".
Ps2. A imagem dessa vez eu roubei de mim mesmo.
16 novembro, 2005

10 novembro, 2005

"Mon beau chien, mon bon chien, mon cher toutou, approchez et venez respirer un excellent parfum acheté chez le meilleur parfumeur de la ville."Et le chien, en frétillant de la queue, ce qui est, je crois, chez ces pauvres êtres, le signe correspondant du rire et du sourire, s'approche et pose curieusement son nez humide sur le flacon débouché; puis reculant soudainement avec effroi, il aboie contre moi, en manière de reproche."-- Ah! misérable chien, si je vous avais offert un paquet d'excréments, vous l'auriez flairé avec délices et peut-être dévoré. Ainsi, vous-même, indigne compagnon de ma triste vie, vous ressemblez au public, à qui il ne faut jamais présenter des parfums délicats qui l'exaspèrent, mais des ordures soigneusement choisies.
[Charles Baudelaire]
O CÃO E O FRASCO
"Meu belo cão, meu bom cão, meu caro totó, se aproxime e venha respirar um excelente perfume comprado no melhor perfumista da cidade. E o cão, balançando a cauda, o que é, acredito, nos pobres seres o signo correspondente do riso e do soriso, se aproxima e coloca curiosamente seu nariz úmido sobre o frasco destampado , depois recuando repentinamente com temor, ele late para mim, como se me reprovasse.” Ah! Cão miserável, se eu tivesse te oferecido um pacote de excrementos, você teria cheirado com delícia e talvez devorado. Desta forma , você mesmo, companheiro indigno da minha triste vida, é semelhante ao público, a quem não se deve jamais apresentar perfumes delicados que o exasperem, mas lixos cuidadosamente escolhidos.
[Charles Baudelaire]
Ps: fotografia afanada do site Getty Images.
09 novembro, 2005
07 novembro, 2005
31 outubro, 2005

TORRENTE
Insuportáveis são as águas que ela verte dos olhos. Intoleráveis são elas, por serem tão minhas. Incontroláveis desejos de vertê-las eu, de trocar a fonte delas pros secos olhos meus. Insustentáveis são as dores que a fazem sangrar transparente. Inconsoláveis. Maldito fruto do bendito ventre.
27 outubro, 2005

JOÃO DE NADA
No meio de um sonho troncho, veio ele e, sem compaixão, disparou: - você é João de Nada. Eu disse, Peraí! Tenho um nome, foi ela quem me deu. Respondeu, que nada! Tais aqui por acaso e teimosia. Por acaso meu e dela teimosia. Não valia mesmo nada. Nem a luz, nem a dor, nem a pena. Valia muito menos, que uma foda mal dada, uma camisinha furada, um aborto mal feito, uma mísera mamada, um registro direito, um batismo imperfeito, que uma fralda cagada. Vim aqui pra tomar, nessa magra noite de sono, o que tu não mereces ter; não mereces dormir, não mereces sonhar, não mereces acordar, não mereces viver, não mereces existir, muito menos ter nome. Dá ele pra cá! Pra que careces de substantivo que te diferencie de outro ser? Pra assinar isso aqui? Pra assinalar os erros dessa existência fracassada? Devolve o que não é teu! O que jogas sem pena na lama. Natimortos não têm herança nem direito de sonhar. Vai-te embora, escolhe a privada mais suja e te atira dentro. É bem lá que se sepulta abortos, sem direito a choro, velas ou cruz de indigência. É Lá que apodrecem Cicranos, Fulanos de Tal, Beltranos e Joões Ninguém.
25 outubro, 2005

Já fui inventor de segredos. Desses que param por horas, adivinhando o por detrás dos olhos alheios. Era só escolher um tronco, um banco, um batente, uma beira de muro sem vidro e parar. Via a vida passar com suas curvas, suas cores, sua polifonia e seus odores. Lia tudo ali: no livro embaixo do braço, no jeito de acender o cigarro, na maneira do cuspe estatelar-se no asfalto. Sabia todos os de onde e pra onde, os porquês e os serás. Era Deus, um menino brincando de bonequinho, ignorando os que me desejavam e desejando os que me ignoravam. Mas um dia, nem sei bem por qual motivo, parei de enxergar. E foi nesse exato momento, que os olhos do mundo começaram a me inventar.

O poema dói nas entranhas
Agarra-se pra não sair
Teme latrinas
Sacos de lixo
Luz
Olhos
Ouvidos
Línguas
Urubus
Vermes
E
Elogios fáceis
Desejava ficar nas sombras
Junto aos irmãos esquecidos
Mas cede as contrações
As tolas aspirações
E finalmente decai
Escorrega da mão
No meio de um papel branco
Lambuzado com sangue
Lagrima
Suor
Cachaça
E
Fumaça
Nasceu pra morte
Pro desassossego
Queria apenas esconder-se
Ser um epitáfio na lápide pobre do esquecimento.